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Albacete
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Situada a sul do leito do rio Segura, ao qual se une através do ribeiro com o mesmo nome, a vila de Letur já era considerada no século XVI como “alegre e com muita água e frescura”. O passeio pelas suas ruas, a contemplação das suas numerosas fontes ou a visita aos seus arredores permitem comprovar que hoje, quase cinco séculos depois, a localidade conserva essas mesmas características.

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Sobre Letur

<p><strong>Património</strong></p>

A vila assenta sobre um penhasco rochoso, uma elevação do terreno; no entanto, a população também se estabeleceu fora destes limites naturais, formando os bairros da Era del Rosal, San Antón e Las Eras. Todo o centro histórico conserva um traçado árabe-medieval formado por ruas estreitas com troços que mudam constantemente de direção e que convergem finalmente numa rua principal, dando a volta ao núcleo antigo para desembocar na praça.

O caráter mourisco do seu tecido urbano favoreceu a sua declaração como Monumento Histórico-Artístico, constituindo o conjunto muçulmano mais importante e melhor conservado da província de Albacete. Trata-se de uma rede viária labiríntica, necessariamente pedonal. Os edifícios são geralmente de dois ou três pisos. Nas fachadas destacam-se os arcos de pedra dos acessos, que por vezes formam os famosos «portalicos», uma vez que dentro de alguns arcos existiam portais semi-interiores que serviam de coletores a várias habitações que os partilhavam.

A planta de Letur apresenta um desenho compacto. Todas as ruas e ruelas concentram-se em torno da Plaza Mayor, centro histórico onde se ergue o edifício mais emblemático da localidade, a Igreja de Santa Maria da Assunção, do século XVI. O seu estilo geral é gótico, embora o portal seja renascentista. Trata-se de um templo de nave única dividida em três tramos, reforçada exteriormente por contrafortes de secção retangular com um ressalto intermédio. Existem quatro capelas laterais e a do batistério, com pia batismal do século XVI (renascentista). Junto à igreja encontra-se a Câmara Municipal, construída no século XVI. Não muito longe dali, numa das ruas, encontram-se pinturas medievais, únicas na província de Albacete.

O passeio tranquilo pelas ruas de Letur, como a rua do Arco, a dos Cárabos, a do Atún ou a do Albayacín, permite desfrutar de inúmeros arcos e pequenos portais de singular beleza. Destacamos o Arco de pedra das Moreras, monumento natural, e o Arco da Porta do Sol, antiga entrada da vila que data do século XII. Dada a sua localização em altura, Letur possui magníficos miradouros como o da Molatica, o dos Molinos, o da rua San Sebastián, o da rua Llanico Perales e o da Artezuela.

<p><strong>Fauna e Flora</strong></p>

Ao referirmo-nos aos recursos naturais de Letur, devemos fixar-nos em primeiro lugar na sua cuidada horta, que pode ser apreciada através de um caminho perimetral de cimento e pedra traçado sobre um antigo caminho de ferradura que rodeia o penhasco rochoso onde está situada a vila.

Este percurso divide-se em três partes: Cantalares, Molatica e Llanico. Durante o trajeto encontramos diferentes grutas, fontes e áreas de descanso, destacando-se o Charco Pataco, que se forma com a passagem do ribeiro de Letur e constitui um local de grande beleza com abundante vegetação. Aqui o ribeiro aumenta o seu caudal com uma nascente que brota das profundezas.

Se somos amantes da botânica, poderemos apreciar a singularidade de duas árvores: um dos maiores pinheiros da província e o zimbro mais alto. Para os encontrar, devemos deslocar-nos à aldeia de Fuente la Sabina e, a partir daí, percorrer 6 km por um caminho não asfaltado que nos conduzirá à Umbría del Nevazo, onde se encontram ambas as árvores.

O pinheiro é um Pinheiro-bravo ou Pinheiro-resineiro (Pinus pinaster), situado numa encosta com vegetação arbórea onde se encontram, além de pinheiros, azinheiras e mato arbustivo. Destaca-se vários metros acima das restantes árvores devido à sua altura (18 m). Apresenta uma copa enorme, muito aberta, através da qual se pode ver o complexo ramificado que lhe dá forma. Possui um tronco direito do qual partem ramos horizontais. É frequentemente visitado por esquilos.

Muito perto deste pinheiro encontra-se o Zimbro-alvar – Juniperus thurifera, numa zona arborizada onde convivem azinheiras de pequeno porte ou carrascos, pinheiros-negral e abundante vegetação mediterrânica arbustiva. Mede 16 m e tem dois troncos grossos que surgem da base e se ramificam de forma múltipla. A copa é irregular e mais larga na parte superior. Apresenta vários orifícios feitos por pica-paus para instalar os seus ninhos.

A cerca de 3 km da Fuente de la Sabina encontra-se o Viveiro Florestal denominado «Las Rejas», que além de ser utilizado como viveiro e armazém, também serve para fumigação, prevenção e extinção de incêndios, dispondo ainda de uma pista para aviões.

Quanto à vegetação predominante, destacam-se os espartais e pastagens, pinheiros, carrascos, lentisco, zimbro-alvar, esteva, alecrim e tomilho.

Relativamente à fauna, podemos observar espécies como a raposa, o texugo, a lebre, o coelho, o esquilo e o gato-bravo.

<p><strong>Festas</strong></p>

  • Festas de San Antón: 17 de janeiro
  • Luminárias de San Juan: 24 de junho
  • Virgem do Carmo: 16 de julho
  • Encierros – Festas da Virgem da Assunção: de 14 a 20 de agosto